Rock Soldiers - Sempre algo de novo no front
- InFeto

- 8 de jun.
- 5 min de leitura
Na sua vida de headbanger, você já deve ter ouvido, lido ou se batido com o nome “Rock Soldiers”; se não, vai ficar sabendo do B.O. todinho agora. Eu fiz uma puta duma entrevista com o responsável por esse tentáculo vivo do Rock underground mundial, que eu discorro nas próximas linhas.
Marivan Ugoski é natural de Pelotas-RS, músico desde 1986 e atualmente mora e trabalha em Caxias do Sul. Hoje aos 56 anos, ele está à frente da coletânea Rock Soldiers desde 1997, quando tinha 29 anos.
Marivan é fã de Rock desde sempre, principalmente do Metal. Dentre as vertentes do Tinhoso, o que mais o fisga é o Thrash metal “old school”. Dentre as referências e paixões, cita Sodom, Kreator, Destruction, Sarcófago, Venom, Celtic Frost , Exodus…etc.
Como músico, teve uma banda chamada Attro por 25 anos, na qual ocupou as funções de baixista e vocalista. Esta banda gravou uma demo em K7, participou de coletâneas em vinil e tocava em festivais com outras bandas autorais da época, que chegavam a reunir um público de 300 a 500 pessoas. Tudo isso nas décadas de 80 e 90. Além da atividade local a Attro participou de um concurso promovido pela revista especializada Rock Brigade, patrocinado pelas caixas de som Staner, onde, dentre mais de três mil bandas inscritas, ficou com o primeiro lugar para arrematar o prêmio, que era gravar um CD pago pela Staner,. Isso resultou no álbum Breaker, de 1995, com a banda atuando como quarteto e com Eduardo Schein como vocalista. Em 2003, a banda voltou com nova formação, com Marivan Ugoski assumindo novamente os vocais e lançou o álbum Makinkg up for the Wasted Time.
Voltando a 1997, Marivan começou a articular o primeiro projeto Rock Soldiers, que, por sua vez, é uma junção de homenagens com inspiração. Marivan estava folheando as páginas da revista Rock Brigade e lá leu uma nota sobre Ace Frehley, que, após deixar o Kiss, lançou como single de seu primeiro álbum solo justamente uma música chamada Rock Soldiers, em abril de 1987. Marivan, fã do Kiss, pensou: “Bhá! Se existe a revista Rock Brigade (nome esse de uma música do Def Leppard) e agora uma música do Ace Frehley chamada Rock Soldiers, então minha coletânea vai se chamar assim”. E assim foi! O ano era 1997, não havia internet, redes sociais e afins. Toda a convocação e divulgação foram feitas por cartas, anúncios em revistas e rádios, panfletos e boca a boca! O analógico é resistência desde sempre!
Depois de todo esse trabalho literalmente braçal, a primeira coletânea ficou pronta e foi lançada em 1998. Desde a primeira edição, a coletânea se propunha a abranger o cenário nacional, não se limitando somente ás bandas do Sul ou bandas de Metal, mesmo sendo essa a preferência de Marivan. Inclusive, há edições que não tiveram bandas do Rio Grande do Sul, o que carimba o não bairrismo. A Rock Soldiers já nasceu com um propósito amplo, onde o Rock em todas as suas vertentes era a prioridade.
Quando indagado sobre o processo de seleção, Marivan ratifica: “O processo de seleção é o mesmo desde o primeiro volume: banda de Rock, não necessariamente de Metal — a Rock Soldiers não foi feita para ser uma coletânea de Metal… —, sendo Rock, tendo letras legais (pode ser só instrumental também) e estando bem gravado…”. De 1997 até 2026, a coletânea já lançou mais de 600 bandas, e não somente bandas brasileiras, pois, a cada volume e com a inserção no mundo virtual — o que facilitou a divulgação e participação —, a coletânea ganhou o mundo e se tornou também um suporte para lançamento de bandas gringas, de países como Argentina, Chile, Alemanha, Inglaterra, Portugal, EUA, Costa Rica, Peru, Canadá, Itália e até Japão.
A Rock Soldiers funciona num sistema de cooperativa no qual cada banda fica com uma cota de CDs, sendo que o valor a ser pago pela banda varia conforme o tempo de duração de cada música apresentada. Os CDs são originais de fábrica, masterizados, com encarte, lacrados e prensagem de 1000 cópias. Dessa forma, o próprio esquema acaba se pagando. Cada banda tem o seu registro circulando em material físico de qualidade e pode vender a sua cota como bem queira. São 1000 oportunidades de ser escutado por quem realmente quer ter acesso ao tipo de material contido na coletânea.
Sobre as dificuldades, Marivan fala que é a gestão de tempo para a realização de cada novo projeto, conseguir bandas que estejam aptas a participar do sistema de cooperativa e conseguir novos apoiadores para fortalecer.
Quando perguntado se já pensou em desistir da produção, Marivan diz que sim. Por falta de tempo, por problemas pessoais e tantos outros problemas que a vida traz consigo, mas ele é bem rápido na contra-resposta e diz “O motivo de continuar é que a música não merece que meus problemas a impeçam de prosseguir… É a maior companhia que existe para mim… tudo que traz energias boas eu tento puxar para mim e esse projeto é uma dessas coisas, inclusive para rebater os tombos da vida.”
Sobre a extensa memória do projeto, Marivan puxa algumas lembranças, como o sexto volume que teve as primeiras bandas de Porto Alegre e contou com um festival em POA; a surpresa de chegar à décima edição; ver diversas bandas se consolidando por meio da participação em várias edições do projeto; a melhora gradual do design gráfico, que atualmente conta com encarte contendo fotos e logos das bandas participantes; o interesse e alcance das bandas internacionais; o primeiro volume duplo em sua vigésima edição, com participação do Blaze Bayley, ex-vocalista do Iron Maiden; o marco do volume 30, com as participações de Taurus e Salário Mínimo.
Sobre os projetos extras de Marivan, em 2021 ele lançou um álbum do seu projeto solo chamado AziAguS - O último prego do caixão; mantém uma banda chamada TataSyn, na qual seu filho é o baterista; e, em 2003, gravou músicas inéditas e releituras que o Attro fazia nos anos 80 e 90. Literalmente é um álbum histórico.
Dentre os “encabeçamentos” de cada edição e nomes especiais, Marivan lembra com orgulho de bandas como Taurus, Salário Mínimo, Vulcano, Dorsal Atlântica (tive o prazer de participar desta edição com a banda Alice no País do LSD), Genocídio, Attomica, Stress, Máscara de Ferro, Leviaethan, dentre outras.
Em 2026 a Rock Soldiers chega a sua 36ª edição, contando com 18 bandas, sendo 15 brasileiras (entre essas a AziAgus) e 03 gringas: 02 bandas de Portugal e 01 da Argentina. O CD conta com 23 faixas, num total de 75 minutos de puro “Rock e Resistencia”. Bom… é isso aí! O underground nem sempre só resiste, ele EXISTE! Vida longa ao Rock Soldiers!
Links para conhecer ainda mais sobre o Rock Soldiers:



