“Raul: Eu sou” - tentou bem tentado, mas não foi por completo
- InFeto

- 9 de jul. de 2025
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Eu assisti à série duas vezes. Na primeira, no afobo, engoli em dois dias e digeri a vida do Maluco Beleza. Fiquei com aquelas primeiras impressões meio atropeladas. Depois, vi com a calma que o Raul exige: respirando, pausando, admirando, jiboiando, revisitando as memórias do que já li, ouvi e vi sobre o nosso eterno Raulzito.
A série deixa pontas soltas? Sim, várias! Talvez fosse preciso o dobro de episódios para enfim termos uma obra definitiva sobre Raul — se é que isso é possível. Faltou abrangência em várias músicas clássicas do compositor, nos amores, nos parceiros além do Paulo, nas famigeradas fofocas, nos diários de maluquice, num “disco a disco” e, porra! Marcelo Nova, apesar de bem representado visualmente, ficou aquém demais… praticamente não aparece na série. Só tem duas cenas e super-rápidas com o cara que foi de brutal importância para a continuação da obra e vida do Raul.
Paulo Coelho conseguiu ser melhor que o próprio Paulo Coelho (!) hauhauahuahuah, e Sérgio Sampaio... ah, esse ficou foda demais, sem tirar nem pôr. Alô produção, tá aí a deixa! Aproveita e nos entrega uma série ou um filme sobre o nosso glorioso maldito Sérgio Sampaio.
A parte artística pode parecer exagerada — e às vezes é mesmo — mas eu curti a lombra que quiseram transmitir. As mesclas musicais ficaram incríveis. A ambientação dos festivais, os figurinos, os palcos, a banda, a coloração... tudo muito bem executado, inclusive os demais personagens, quase todos ficaram muito próximos da realidade: o Sylvio Passos, a Kika Seixas, os produtores, etc. Mas o Raul…
O que falar do ator principal? O cara manda bem? Manda bem pra caralho! Mas Ravel Andrade não foi tomado pelo Raul. Ele veste o Raul, fala como Raul, canta Raul, se porta como Raul... mas não vi Raul. Não consegui em momento algum olhar para TV e “ver o Raul”. Vi um bom ator cumprindo seu papel. Faltou a transmutação, tipo o “Jesuíta x Ney”, ou citando exemplos da própria série: “João Pedro Zappa x Paulo Coelho”, “Jaffar Bambirra x Sérgio Sampaio”. Esses ficaram unha e carne, indissociáveis nos seus papéis. Não se distingue ator de personagem. É tudo perfeitamente encaixado: começo, meio e fim. Sem ficar uma caricatura descarada (o que não foi o caso do personagem do Raul).
Mas ó, não tem do que reclamar. Nem lamentar. Qualquer obra bem feita sobre o nosso Pai do Rock é sempre bem-vinda. E essa, sem dúvidas, é uma delas que, com certeza, vai ser reverenciada e relembrada lá na frente como referência da vida e obra eterna do inigualável Raul Rock Seixas, que, apesar de todo culto ainda carece demais de memórias expostas como ídolo de gerações. Principalmente na Bahia, que até hoje, 44 após sua partida, não se dá ao respeito de ter um museu, centro, casa, palácio Raulseixista que definitivamente carimbe Salvador como a capital onde surgiu a estrela indecifrável Raul Seixas.
*** Só agora, em 2025, foi anunciado que PODE HAVER a realização de alguma estrutura permanente sobre a vida e obra de Raul Seixas, em Salvador. Se a ideia se concretizar, será no bairro do Bonfim.


