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O Diabo veste prada 2

  • Foto do escritor: InFeto
    InFeto
  • 1 de mai.
  • 3 min de leitura

O Diabo Veste Prada 2 é um filme que se repete quase que em sua totalidade. Usa exatamente a mesma fórmula "Roliudiana" do primeiro e não tem como dar errado: comecinho emocionante com música pulsante, primeira situação do conflito, algumas boas piadas e falas sarcásticas, umas tretas, segunda situação do conflito, a tal redenção e um finalzinho feliz. Pronto! Bastam alguns milhões de dólares, uma boa divulgação, um elenco de peso, um intervalo de duas décadas e... bum! Bata no liquidificador, leve ao forno e terá um "Sessão da Tarde" à sua disposição.


O filme é preguiçoso; as coisas acontecem numa linearidade com obstáculos gritantes. Os personagens não evoluíram (nem na maldade), é tudo exatamente como o primeiro filme. A maior diferença são os 20 anos, o que me levou à constatação de que esse povo rico não envelhece! Tá quase todo mundo com a mesma cara. Se o Diabo veste Prada, a Meryl Streep, em seus 76 anos, usa uma armadura Maximiliana de elegância e pura beleza.


Um ponto muito agradável do filme é ver a totalidade do elenco principal do primeiro filme, de 2006, mantido nesta segunda parte, o que é difícil de se ver no mundo do cinema. Esse fator realmente é de grande agradabilidade e funcionou bem, afinal todos estavam lá no passado. Mas o contexto escolhido está impregnado de repetições e não de continuação, novidades, mudanças ou surpresas.


Todos estão mais velhos, mas os sinais de evolução e maturidade dos personagens são pouquíssimos. Então, para mim, soou mais como uma "outra versão" do filme do que uma continuação. Esta "outra versão" vem com as adaptações necessárias para fisgar a mesma faixa etária que fisgou no anterior. Dentre as adaptações, estão a inserção de gordos, negros, asiáticos, alguma estrela pop atual e as censuras por assédio no ambiente de trabalho. Ou seja, foi feita uma maquiagem e roupagem chique e "na moda" para que tudo ficasse em seu lugar. A cota dos dos  negros, asiáticos e gordos (na verdade tem só um e alguns flashes de outros) são tão naturais como uma modelo trajando um Mohamed Benchellal numa Cracolândia.


Dentre as coisas que enfraquecem o filme, temos a personagem da Meryl Streep ser o "Cão chupando manga Taiyo numa suíte palaciana do The Plaza" e, em 20 anos, não ter conseguido uma promoção de emprego. Porra, ela é a Rainha, o suprassumo da moda, ou uma gerente da C&A ou qualquer outra loja de departamento? A personagem da Anne Hathaway fica num limbo de classe social: não sabemos se ela é rica, classe média ou pobre. Só sabemos que abriu mão do glamour do emprego dos sonhos de milhares de pessoas para ir atrás de seus sonhos. Daí ela sonha, se realiza e, 20 anos depois, está recebendo um prêmio numa premiação importante de jornalismo para, em seguida, ser demitida. Então, sem qualquer contato com todos da agência Runway, ela é resgatada como a passarela de salvação? O bom aqui é ver as interpretações, que são ótimas, mas não conseguem sustentar com vigor a história repetitiva.


Em suma, o filme é legal? Sim, é legal! Mas não é um filme que foi feito para se conectar com o filme de 2006. É um filme para se conectar com o agora, com a geração de agora. Então, com certeza, vai ser um grande sucesso entre a geração Z, Gama, Alfa… pois é a mesma fatia que viu e achou legal o primeiro filme, ainda numa época em que o assédio no ambiente de trabalho e a solidão das mulheres poderosas não eram amplamente debatidos em pautas de grande alcance. O Diabo Veste Prada (2006) trouxe esses elementos, antecipando discussões que se tornariam centrais nos anos seguintes. Talvez, se essa continuação demorasse menos tempo para ser feita, ela funcionasse melhor.


 
 
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